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Sobre anacristinarodrigues

Eu trabalho numa biblioteca. Estudo História. Escrevo. Leio. Traduzo. Uma traça que fala, basicamente.

Cartas aos jovens – a triste história da editora que nunca existiu e o que podemos aprender com tudo isso.

Recebi um monte de mensagens, via twitter, msn, skype e etcs nos últimos meses. O teor era algo mais ou menos assim:

Ana, esse caso da Arielli? Você que adora uma polêmica, não vai dizer nada?

A minha postura inicial foi ‘Não’.  Não queria me meter nessa história, que acabou me atingindo indiretamente. Afinal, justo quando começo os trabalhos na Llyr Editorial, estoura a bomba de que a editora novata, surgida no segundo semestre do ano passado, estava enganando a todos. Que ela não existiria como empresa, que não tinha CNPJ, que estava mentindo sobre os lançamentos. Muitos torceram o nariz para a Llyr achando que era algo parecido. (no caso, a Llyr é um selo de um grupo editorial já estabelecido e tem tudo em ordem)

Um pequeno resumo: a autora Nessie Araújo( Vanessa Santana Araújo), que publicou um livro pela editora de edições pagas ABRALI, anunciou sua editora no segundo semestre do ano passado. Prometeu dar espaço e voz para novos autores nacionais. Prometeu grandes tiragens em capa dura. Alegava que eram mais do que apenas uma editora, eram uma família.

Só que…

Os primeiros lançamentos foram atrasando, atrasando, o 1o livro teve um lançamento ao qual ninguém apareceu, não teve fotos porque a máquina estragou e não sobrou nenhum livro. Então, uma autora, inconformada com os adiamentos sucessivos, resolveu romper com a ‘Família Arielli’, e comecei a levantar a lebre: não tinha assinado contrato e seu livro, prestes a ser lançado – nas palavras da própria editora – não constava do catalogo do ISBN. Daí, começou a debandada. Outros autores começaram a exigir contratos, a querer ver documentos. Perante a recusa da editora, também deixaram a ‘família’. Outros batiam pé, defendiam a editora (a pessoa, mais do que a instituição) e por vezes chamavam os colegas de ‘covardes’, ‘mesquinhos’ por estarem fazendo pouco do ‘sonho’ da Arielli.

Mais e mais autores foram deixando a casa editorial. As desculpas da editora eram bem mirabolantes: o ISBN existia sim e ela ia mostrá-lo (apesar da página do ISBN não acusar nada),não mostrava o número do CNPJ por recomendação do seu contador/advogado, ela estava se preparando para ir pessoalmente ao encontro de cada um dos autores remanescentes para levar o contrato…

Só que os livros não apareciam. E mesmo os prestadores de serviço, como revisores e designers, começaram a reclamar que não recebiam pelos serviços prestados… A editora resolveu entrar em reformulação, o blog entrou em hiato assim como a conta no twitter. O site parou de ser atualizado.

Ontem, a única autora que dizia ter contrato assinado e ter visto a documentação completa da editora finalmente veio a público admitir que mentiu. Ela também não tinha assinado contrato, o lançamento não acontecera e ela sustentara a mentira por acreditar que seu livro seria lançado.

Enfim, a coisa foi bem complicada. A mim, parece que foi um caso agudo de incompetência da pessoa responsável, que achava que editar livros era uma atividade fácil e pouco custosa, misturado com o desespero de um bando de jovens autores que querem conquistar um espaço ao sol, custe o que custar. Deu no que deu. Quando bateu a burocracia, os custos, o trabalho… o caldo desandou.

Os atingidos pela farsa foram, em sua maioria, jovens autores. Quando digo jovens, quero dizer jovens MESMO. Crianças de 16 anos correndo atrás de um ‘sonho’.

Ontem o assunto voltou a baila porque finalmente a única autora a dizer que seu livro tinha saido da forma correta, com ISBN e contrato, voltou atrás e disse que nada tinha acontecido, não tinham livros nem nada. Isso reacendeu a fúria dos seus ex-colegas de editora, que foram lesados, se sentem enganados e traídos.

Então, vamos aproveitar o assunto e esclarecer algumas coisas.

Publicar um livro pode ser a realização de um sonho. Mas ser um Escritor é trabalho duro. Escrever, aliás, é a parte mais fácil, aquela que você faz por ser o seu destino, o seu talento… o seu sonho. Depois, tem todo o resto. Revisar, escolher leitores beta, apresentar seu trabalho para uma editora, escolher a melhor proposta (sim, você pode receber mais de uma proposta, principalmente se estiver disposto a pagar pela publicação).

É trabalho. É profissão. Tem que ser encarado assim, PROFISSIONALMENTE.

(Claro, se você só quiser publicar por publicar, para empilhar os livros na sala de casa e ficar olhando, é um país livre…)

E como se encara a atividade de escritor profissionalmente?

1- Antes de fechar qualquer coisa, PENSE. A editora é recente? Já lançou algum livro antes? A pessoa responsável pela casa editorial tem alguma experiência no ramo? E experiência mesmo, de lançar livros por outras casas editoriais sem ter pago, ter trabalhado na organização de coletâneas profissionais…

E isso não vale só para editoras. Ano passado, rolou um caso de um sujeito que se dizia agente, recolhendo originais para apresentar para as grandes editoras. Tudo uma grande mentira.

2- EXIJA ver toda a documentação. Claro que no caso da Rocco você sabe que ela existe e tal, que tem CNPJ. A Draco também. E a Tarja. E a Aleph. E a Devir.

Mas a ‘Livros Que Eu Amo Edições’, que ainda não tem livros no catalogo, nem presença no cadastro do ISBN tem que mostrar o CNPJ. Desconfie de qualquer desculpa do tipo ‘meu contador disse que não devo mostrar o numero por aí’. CNPJ está na nota fiscal da empresa, no seu carimbo oficial. Não é segredo de estado.

3- Fechar com uma editora é quando os dois lados assumem um compromisso . Ou seja: assinam um  CONTRATO. E isso deve ser feito antes do livro ir para a preparação de texto, antes de decidir capa. É o primeiro passo da relação profissional. É essencial para a sua segurança – e a da editora. Sem contrato, você pode simplesmente mudar de editora a vontade.

4- A relação autor-editor é uma relação PROFISSIONAL. Nada impede que vocês sejam amigos, tomem chopp juntos, sejam marido e mulher. Na hora de tratar do seu livro, são dois profissionais se entendendo. Chantagens emocionais, ameaças veladas do tipo ‘Então, você não confia em mim? Mas pensei que fossemos amigos!’ são um péssimo sinal.

5- Desconfie de promessas exageradas. Ninguém faz tiragem de 5000 cópias de autor iniciante. Ninguém vai te colocar na lista de mais vendidos da Veja em 1 semana. Ou te levar no Jô, Ou publicar você pela Tor, te transformar na JK Rowling…

6- Procure sempre o conselho de alguém mais experiente. Pai, mãe, um escritor com mais tempo de mercado, um advogado para ajudar nas questões legais. Converse, desabafe, tire suas dúvidas. E escute. E respeite a opinião deles.

7- Não tenha pressa para publicar. Se aquela editora não parece confiável, não trabalhe com ela. Procure outras, espere um pouco. A pressa pode fazer com que você se afobe e caia em armadilhas como a que originou esse post.

Aos jovens autores prejudicados, que tiveram seus ‘sonhos’ atrasados ou partidos: encarem isso como uma boa-vinda ao mundo editorial. Aqui é realmente um lugar duro com aqueles que acham que sonhar basta, e que é só esperar que os puros de coração terão seus desejos realizados. Em contrapartida, para quem não tem medo de trabalhar e batalhar da forma correta por seu lugar ao sol, é um lugar muito divertido. Não deixem de sonhar, mas mantenham os pés no chão e os olhos no caminho a ser seguido.

 

(Momento de propaganda: escrevi uma pequena apostila sobre os primeiros passos para publicar um livro. Irei publicar uma versão mais vitaminada pela Editora Estronho, mas por enquanto vocês podem lê-la aqui)

 
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Publicado por em 29 de maio de 2011 em Cartas aos jovens

 

A lista dos 10 Melhores dos Leitores da Tor – Comentados pelo Bonde

Esse ranking feito pelos leitores do site oficial da editora Tor – especializada em literatura fantástica e que publica grandes nomes – tem livros lançados no Brasil, livros a serem lançados no Brasil, um lançado em Portugal e outros que não devem aportar aqui tão cedo. Nossa tripulação leu alguns dos livros e tem comentários a fazer, então vamos a lista.

*

1- Old Man’s War

Autor: John Scalzi

Editora: Tor

Ano da 1a edição: 2005

Páginas: 320

Em Português? Só de Portugal.

Ana Cristina Rodrigues: Ainda sem previsão de sair no Brasil, o excelente romance de John Scalzi é o primeiro de uma série passada em um futuro no qual a Terra é uma potência universal. E como toda potência, enfrenta percalços militares que são resolvidos de forma inversa à maneira mostrada no clássico Ender’s Game de Orson Scott Card: no universo criado por Scalzi, as batalhas são combatidas por anciões que receberam corpos novos. É, exatamente isso: aos setenta anos, ao invés de se aposentar, você se torna um recruta, ganha um corpo construído com super habilidades e vai batalhar contra os mais diversos tipos de criaturas, nos lugares mais inóspitos possíveis.  A narrativa é deliciosa, com um senso de humor sensacional e faz referências a dois clássicos da FC militar que já aportaram no Brasil:  Tropas Estelares do Robert Heinlein e Guerra sem fim do Joe Haldeman (que saiu pela Iluminuras, que traz títulos surpreendentes a preços exorbitantes). Apesar de FC militar não ser lá meu gênero predileto, gostei tanto do livro do Scalzi – que li no pdf distribuido gratuitamente pela Tor.Com – que comprei sua sequencia, Ghost Brigades. Dá para degustar um pouco do cenário aqui (em inglês) e é torcer para que a adaptação do livro para o cinema nos traga uma versão brasileira, com um título melhor que a da versão portuguesa que saiu pela Gallilivros (A guerra é para os velhos)

*

2- American Gods

Autor: Neil Gaiman

Editora: William Morrow

Ano da 1a edição: 2001

Páginas: 480

Em Português? Sim, no Brasil saiu pela Conrad, a edição esgotou mas há promessa de reedição.

Ana Cristina Rodrigues: Ter Neil Gaiman no ‘top 10’ não é surpresa, a surpresa foi ele não estar no topo! Deuses Americanos consolidou o roteirista de Sandman como escritor e pavimentou a estrada para que ele se tornasse um dos poucos popstars literários de hoje. Numa trama cheia de referências à mitologia, acompanhamos Shadow em uma viagem pelos Estados Unidos, em um clima de Road movie fantástico. Nessa estrada, ele vai encontrado criaturas e seres que, desenraizados, construíram novas identidades e novas religiões no novo mundo.  Eu já adorava o Gaiman dos quadrinhos, mas com esse livro eu passei a ter verdadeira reverência pelo cara – para mim, ele consegue fazer o que o Alan Moore tenta: fazer uma literatura pop e ao mesmo tempo cheia de referências maiores, sem perder a leveza.

Ana Carolina: Temendo que a Ana Cristina acima edite meu post, mas lá vai: o Neil Gaiman estaria aí de qualquer maneira, pois talvez seja o escritor fantástico mais pop de sua geração (talvez perdendo apenas parao  Stephen King, que está do outro lado do espectro, mas enfim). A premissa de Deuses Americanos é simplesmente fantástica: e se os deuses, junto de seus fieis – já que o que alimenta um deus é a fé – tivessem emigrado para a América, e agora sofressem as consequências da falta de fé? Segue-se um excelente road book sobre Shadow, ex-presidiário, e o misterioso Mr. Wednesday, seu empregador. Não acho que o Gaiman proseiro tenha um décimo da força do Gaiman roteirista de quadrinhos, mas esse talvez tenha sido seu melhor livro – e talvez oque contorne da melhor maneira aquele que acho o pior defeito do Gaiman: ele é um excelente criador de cenários, mas peca na execução ou na exploração de seu potencial.Mas de qualquer forma, é um livro que se destaca bastante do lugar-comum da fantasia e também da fantasia urbana e é, sim, um excelente exemplo do que se produziu de mais fantástico nos anos 00.

Bruno Schlatter: Confesso que não sou o maior dos fãs do Gaiman, principalmente na literatura, mas ele certamente tem muitos méritos, ou não chegaria onde chegou. E esse é o melhor livro dele, um page-turner muito bem escrito (apesar de algum probleminha de ritmo em certos momentos), contando uma história de fantasia urbana única e envolvente. Quem não leu tem que correr atrás, é obrigatório.

3- The Name of the Wind

Autor: Patrick Rothfuss

Editora: DAW

Ano da 1a edição: 2007

Numero de páginas: 662

Em Português? Sim, pela Sextante – em uma grande surpresa!

Ana Cristina Rodrigues: Eis a grande surpresa – da lista e da década! Primeira parte da ‘Crônica do Matador de Reis’ – o 2º livro Wise man’s fear sai agora em março nos EUA – O nome do vento saiu no Brasil em 2009, apenas 2 anos depois de sua primeira edição. É o romance de estréia de Pat Rothfuss e seu sucesso surpreendeu até mesmo o autor, que  aproveitou a fama para… fazer caridade! Uma fantasia sombria, que conta a história de Kvothe por várias dificuldades enquanto ele busca desenvolver forças para se vingar dos Chandrianos, entidades lendárias que voltam a vida e provocam um desequilíbrio de forças. O livro todo tem um clima de desespero e de sombras – mesmo a quadrinha infantil sobre os vilões começa a dar medo quando você se aprofunda mais na história.

Bruno Schlatter: Tá na minha lista, tenho que ler ainda.

Ana Carolina: Li sem esperar muito para ser surpreendida. É um cenário de alta fantasia, mas muito mais sujo do que o tolkeniano-rpgista padrão (é muito mais “martiniano”, digamos assim), com um quezinho que vai de Dickens a Harry Potter, mas inovando. Confesso que o começo é meio sonolento, com o protagonista – criança superdotada e atrevida que ganha um mestre para explorar todo seu potencial de geniozinho – mas já na primeira reviravolta, o livro fisga e mostra que as coisas vão ser diferentes. Gostei bastante da releitura da alta fantasia, suja, no mundo de um deus morto, onde criminalidade e drogas são problemas REAIS, e espero ansiosa se o autor consegue segurar a excelente peteca levantada nas continuações.

*

4- Blindsight

Autor: Peter Watts

Editora: Tor

Ano da 1a edição: 2006

Número de páginas: 384

Em Português? Nope.

Ana Cristina Rodrigues: Desse livro, eu nem tinha ouvido falar. Então, recorri ao Google – e aquele orgulho besta meio que desapareceu, já que o romance concorreu ao Hugo de 2007… A minha desculpa é, que segundo a Wikipedia,  trata-se de um romance de FCHard, que não é minha praia. A trama explora temas como identidades e consciência, usando como mote uma equipe de astronautas que encontra uma entidade extraterrestes. E pra minha total surpresa, o livro está disponível online! Vou aproveitar para ler.

Ana Carolina: Para ser sincera, não me interessa.

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5- Kushiel’s Dart

Autor: Jacqueline Carey

Editora: Tor

Ano da 1a edição: 2001

Número de páginas: 701

Em português: Não

Ana Cristina Rodrigues: Outro que se encaixa na categoria ‘nunca ouvi falar’.  Pelo que vi na Wikipedia, é uma fantasia inspirada no Gênesis, com anjozzzz….Não, não me interessou. Pelos comentários da equipe da Tor.Com, é uma série com muitos fãs – o que explica a sua inclusão.

Ana Carolina: Como já ouvi falar bem dessa série por gente que tem um mínimo de senso crítico, tenho curiosidadezinha. Só “zinha”.

*

6- A Storm of Swords

Autor: George R.R. Martin

Editora: Bantam

Ano da 1a edição: 2000

Número de páginas: 973 (a 1a edição de capa dura)

Em português? Já saiu em Portugal (dividido em dois livros) e deve sair pela LeYa em breve.

Ana Cristina Rodrigues: Não há muito o que falar, já que Carol, Lucas e Bruno vão falar muito mais. Storm of swords é o terceiro e maior livro da saga até agora, e o mais complexo – segundo os fãs. Eu? Bem, apesar de ter adorado o primeiro volume, prometi que só leria os outros quando o 5º livro saísse.

Bruno Schlatter: Esse é o livro que melhor resume a série, na minha opinião. Tudo que ela tem de melhor resumido em míseras 1200 páginas (na versão pocket que eu li): guerras, combates, intrigas, traições, mentiras, mortes inesperadas e chocantes… Mas vou deixar pra Carol entrar em maiores detalhes. Winter is Coming!

Ana Carolina: O livro é uma síntese da série, no fim das contas, trazendo em suas 1200 páginas tudo aquilo que ela tem de melhor – intriga, drama, romance, traições, mentiras, mágica – em um ritmo alucinado, talvez no mais forte de toda a série, já que a dinâmica está presente do começo ao fim, onde nenhuma palha fica no mesmo lugar onde estava quando tudo começou. Todos os personagens, núcleos e tramas se mexem e se adiantam, alguams se conectam, outras se desconectam de vez, e esse livro ainda tem o clímax de toda a saga até agora, que mais não posso dizer pois é o maior spoiler da série até o momento. Só que essa empolgação toda trouxe um pequeno probleminha, que gerou um atraso de ONZE ANOS E CONTANDO!!!!! para dar prosseguimento à série: ele acabou ferrando a própria cronologia. Tem de ver se as consequências disso para o quinto livro que, Deus queira, sai esse ano ainda.

(e só uma nota: acho que o livro 4 é o único da série com valor literário, apesar de precisar de três livros de introduçãozinha e ser o “patinho feio” da série).

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7- Jonathan Strange & Mr Norrell

Autora: Susanna Clarke

Editora: Bloomsbury

Ano da 1a edição: 2004

Número de páginas: 800 (a 1a edição de capa dura)

Em português? Sim, pela Cia das Letras

Ana Cristina Rodrigues: Esse foi um livro que me derrotou. Cheguei no final por pura obstinação mesmo, porque vontade de largar eu tive, e muita. Porém, o romance de estréia de Susanna Clarke foi muito elogiado e premiado, com críticos encantados pela prosa dickeniana que conta a história de dois homens que trazem a magia de volta para a Inglaterra.

Buno Schlatter: Tinha curiosidade de ler esse livro, mas conversando com amigos (incluindo o pessoal do blog) parece que ninguém se empolgou muito com ele. Se um dia tiver algum tempo e dinheiro sobrando, de repente vai.

Ana Carolina: Até entendo porque esse livro está na lista (já que a forma como a história foi construída, a linguagem e a temática também fogem bastante do lugar-comum), mas esse livro me derrotou. Quando terminei a parte 1 e vi que teria de vencer mais 500 páginas, utilizei-me da máxima “livros demais, tempo de menos”, fechei e voltei para a estante, onde está até hoje.

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8- Anathem

Autor: Neal Stephenson

Editora: William Morrow

Ano da 1a edição: 2008

Número de páginas:928

Em português? Não

Ana Cristina Rodrigues: Esse está na pilha para ler. Ainda não me animei a passar das 100 primeiras páginas  – são 930. E pelo tamanho, vocês devem ter uma vaga idéia de que nada acontece muito no começo. Mas a discussão parece bem interessante. Esse livro era a barbada para o Hugo de 2009, que perdeu para o infanto-juvenil O livro do cemitério do Neil Gaiman. Admito que votei no Gaiman.

Ana Carolina: Li Nevasca do mesmo autor, não gostei, e a chance de ler esse livro são entre mínimas e nulas.

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9- Mistborn: The Final Empire

Autor: Brandon Sanderson

Editora: Tor

Ano da 1a edição: 2006

Número de páginas:541

Em português? Não

Ana Cristina Rodrigues: Brandon Sanderson é o melhor aluno de Robert Jordan, mas como eu não gostei do que li do Jordan isso não é elogio. O trabalho de Sanderson na trilogia Mistborn – que começou com esse livro – lhe valeu o posto de perpetuador da saga de Jordan (para quem não sabe, “Wheel of time”). Achei muito ‘predestinado muda o destino do Mundo’, mas a protagonista é bastante simpática e acaba te atraindo pro livro. O cenário é bem construído, inclusive a parte dos poderes dos Mistborn.

Ana Carolina: Graças a um coleguinha que não tá no blog (cof cof), esse livro tá na minha pilha de leituras.

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10- Perdido Street Station

Autor: China Mieville

Editora: MacMillan

Ano da 1a edição: 2000

Número de páginas:867

Em português? A Tarja vai publicar em breve!

Ana Cristina Rodrigues: Bem, esse livro é o grande responsável pelo hype que surgiu no fandom brasileiro sobre a moda New Weird. E em parte isso se justifica pela qualidade do texto. Mieville desfia a cidade de New Crobuzon com uma veracidade que por vezes é difícil lembrar que ela não existe.Criaturas bizarras, um perigo que ameaça destruir tudo, um casal completamente impossível – que tem uma cena de sexo belissimamente escrita, um plot intrigante e complexo. Faltam adjetivos para descrever esse delírio do escritor inglês.

Bruno Schlatter: Pessoalmente, gosto mais dos outros dois romances do Miéville em Bas-Lag – The Scar e Iron Council. Mas esse foi o grande hit do autor, o que começou tudo, e é o primeiro livro que vem a cabeça de qualquer um quando se fala em new weird. Uma viagem profunda e inquietante pela cidade de New Crobuzon, seus becos sujos e personagens fantásticos; tem alguns defeitos, e o final pode ser um pouco brochante, mas certamente vale a leitura para qualquer fã de fantasia.

Ana Carolina: Tá na pilha, mas sempre que olho pra ele dá uma preguiça… (e foi por causa dele que li o A Game of Thrones em primeiro lugar, agradeço ao Mieville para sempre :P)

***

Comentário final da Adriana:Ah, cara, eu tenho livro demais pra ler, ainda. Não vou dizer que senti vontade de ler TODOS os que estão nessa lista – até agora os únicos que realmente pretendo ler num futuro próximo são Deuses Americanos e os livros do Martin – mas cada vez mais me convenço que tenho pouca vida pra muita lista de leitura…

 
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Publicado por em 10 de março de 2011 em Comentários

 

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Cartas aos jovens – A triste história de Rudamon

Olá, pessoas.

Estou transferindo essa parte do meu blog para cá – e começo respondendo a um email recém-recebido:

Ana, vc viu que o Rudamon admitiu a farsa? E aí, o que você acha?

 

Posso ser bem sincera?

Acho triste.

Qualquer pessoa com bom senso já teria visto que tudo o que o autor de Rudamon anunciava era uma grande mentira – desde as grandes vendagens até o patrocínio de empresas multinacionais para o seu filme. O trabalho era claramente amador, da capa feita pelo HeroMachine aos comunicados da ‘assessoria de imprensa’ cheios de erros cabeludissimos de gramática e ortografia.

Ele foi muito esculhambado no MBB e para mim parecia que seu caminho seria o mesmo de um monte de escritores que surgem na internet: sumir sem deixar vestígios. O problema foi que ele teve repercussão nos blogs literários, que reproduziam suas palavras – alguns por deboche, outros por ingenuidade. Entrevistas, posts especiais e toda uma papagaiada que provavelmente só fez o pobre rapaz acreditar ainda mais na mentira que ele mesmo construira. Não duvido que ele mesmo estivesse acreditando no que dizia, ou achando que “Uma mentira dita milhares de vezes se torna verdade”.

Mais triste ainda é que até mesmo agora, quando ele assume a farsa, continua se escondendo atrás de mentiras. Na carta publicada em um blog, o autor diz que desistiu depois que o produtor alemão de cinema Hank Levine desistiu de uma vinda ao Rio no qual eles se encontrariam – isso não faz sentido, pois Levine, alemão de nascimento, é radicado no Brasil e mora em São Paulo, sendo que o autor mora no interior desse estado. Por que marcar um encontro no Rio? E se desmarcou este, porque não simplesmente remarcar em um lugar mais conveniente?

Temos algumas lições a tirar disso:

1- Vida literária não é circo. É coisa séria, é dificil, nem todos terão sucesso e muitos, mas muitos mesmo, irão fracassar. Porém, farsas não ajudam nem resolvem nada, muito pelo contrário. Mais cedo ou mais tarde, as mentiras acabam sendo desvendadas e quem mais sofre é o próprio mentiroso.

2- Jovens escritores do meu coração: DEIXEM QUE A OBRA DE VOCÊS FALE POR SI MESMA. Não inventem mentiras, não tentem dourar o latão inventando factóides, não criem fakes em redes sociais só para se auto elogiar. Mas também evitem os auto-elogios, se intitular ‘novo Tolkien’ ou proclamar que serão o mais novo sucesso.

Sucesso é algo que se constroi com muito trabalho, não com palavras vazias.

3- Caros blogueiros: vocês querem ser levados a sério enquanto mídia. Então, se levem a sério! Apurem as informações que vão divulgar, desconfiem dos exageros, exijam fontes confiáveis – e só publiquem o que for digno de publicação. Vamos evitar que mais casos assim aconteçam!

 
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Publicado por em 6 de março de 2011 em Cartas aos jovens

 

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