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Cartas aos jovens – A triste história de Rudamon

Olá, pessoas.

Estou transferindo essa parte do meu blog para cá – e começo respondendo a um email recém-recebido:

Ana, vc viu que o Rudamon admitiu a farsa? E aí, o que você acha?

 

Posso ser bem sincera?

Acho triste.

Qualquer pessoa com bom senso já teria visto que tudo o que o autor de Rudamon anunciava era uma grande mentira – desde as grandes vendagens até o patrocínio de empresas multinacionais para o seu filme. O trabalho era claramente amador, da capa feita pelo HeroMachine aos comunicados da ‘assessoria de imprensa’ cheios de erros cabeludissimos de gramática e ortografia.

Ele foi muito esculhambado no MBB e para mim parecia que seu caminho seria o mesmo de um monte de escritores que surgem na internet: sumir sem deixar vestígios. O problema foi que ele teve repercussão nos blogs literários, que reproduziam suas palavras – alguns por deboche, outros por ingenuidade. Entrevistas, posts especiais e toda uma papagaiada que provavelmente só fez o pobre rapaz acreditar ainda mais na mentira que ele mesmo construira. Não duvido que ele mesmo estivesse acreditando no que dizia, ou achando que “Uma mentira dita milhares de vezes se torna verdade”.

Mais triste ainda é que até mesmo agora, quando ele assume a farsa, continua se escondendo atrás de mentiras. Na carta publicada em um blog, o autor diz que desistiu depois que o produtor alemão de cinema Hank Levine desistiu de uma vinda ao Rio no qual eles se encontrariam – isso não faz sentido, pois Levine, alemão de nascimento, é radicado no Brasil e mora em São Paulo, sendo que o autor mora no interior desse estado. Por que marcar um encontro no Rio? E se desmarcou este, porque não simplesmente remarcar em um lugar mais conveniente?

Temos algumas lições a tirar disso:

1- Vida literária não é circo. É coisa séria, é dificil, nem todos terão sucesso e muitos, mas muitos mesmo, irão fracassar. Porém, farsas não ajudam nem resolvem nada, muito pelo contrário. Mais cedo ou mais tarde, as mentiras acabam sendo desvendadas e quem mais sofre é o próprio mentiroso.

2- Jovens escritores do meu coração: DEIXEM QUE A OBRA DE VOCÊS FALE POR SI MESMA. Não inventem mentiras, não tentem dourar o latão inventando factóides, não criem fakes em redes sociais só para se auto elogiar. Mas também evitem os auto-elogios, se intitular ‘novo Tolkien’ ou proclamar que serão o mais novo sucesso.

Sucesso é algo que se constroi com muito trabalho, não com palavras vazias.

3- Caros blogueiros: vocês querem ser levados a sério enquanto mídia. Então, se levem a sério! Apurem as informações que vão divulgar, desconfiem dos exageros, exijam fontes confiáveis – e só publiquem o que for digno de publicação. Vamos evitar que mais casos assim aconteçam!

 
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Publicado por em 6 de março de 2011 em Cartas aos jovens

 

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