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A lista dos 10 Melhores dos Leitores da Tor – Comentados pelo Bonde

Esse ranking feito pelos leitores do site oficial da editora Tor – especializada em literatura fantástica e que publica grandes nomes – tem livros lançados no Brasil, livros a serem lançados no Brasil, um lançado em Portugal e outros que não devem aportar aqui tão cedo. Nossa tripulação leu alguns dos livros e tem comentários a fazer, então vamos a lista.

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1- Old Man’s War

Autor: John Scalzi

Editora: Tor

Ano da 1a edição: 2005

Páginas: 320

Em Português? Só de Portugal.

Ana Cristina Rodrigues: Ainda sem previsão de sair no Brasil, o excelente romance de John Scalzi é o primeiro de uma série passada em um futuro no qual a Terra é uma potência universal. E como toda potência, enfrenta percalços militares que são resolvidos de forma inversa à maneira mostrada no clássico Ender’s Game de Orson Scott Card: no universo criado por Scalzi, as batalhas são combatidas por anciões que receberam corpos novos. É, exatamente isso: aos setenta anos, ao invés de se aposentar, você se torna um recruta, ganha um corpo construído com super habilidades e vai batalhar contra os mais diversos tipos de criaturas, nos lugares mais inóspitos possíveis.  A narrativa é deliciosa, com um senso de humor sensacional e faz referências a dois clássicos da FC militar que já aportaram no Brasil:  Tropas Estelares do Robert Heinlein e Guerra sem fim do Joe Haldeman (que saiu pela Iluminuras, que traz títulos surpreendentes a preços exorbitantes). Apesar de FC militar não ser lá meu gênero predileto, gostei tanto do livro do Scalzi – que li no pdf distribuido gratuitamente pela Tor.Com – que comprei sua sequencia, Ghost Brigades. Dá para degustar um pouco do cenário aqui (em inglês) e é torcer para que a adaptação do livro para o cinema nos traga uma versão brasileira, com um título melhor que a da versão portuguesa que saiu pela Gallilivros (A guerra é para os velhos)

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2- American Gods

Autor: Neil Gaiman

Editora: William Morrow

Ano da 1a edição: 2001

Páginas: 480

Em Português? Sim, no Brasil saiu pela Conrad, a edição esgotou mas há promessa de reedição.

Ana Cristina Rodrigues: Ter Neil Gaiman no ‘top 10’ não é surpresa, a surpresa foi ele não estar no topo! Deuses Americanos consolidou o roteirista de Sandman como escritor e pavimentou a estrada para que ele se tornasse um dos poucos popstars literários de hoje. Numa trama cheia de referências à mitologia, acompanhamos Shadow em uma viagem pelos Estados Unidos, em um clima de Road movie fantástico. Nessa estrada, ele vai encontrado criaturas e seres que, desenraizados, construíram novas identidades e novas religiões no novo mundo.  Eu já adorava o Gaiman dos quadrinhos, mas com esse livro eu passei a ter verdadeira reverência pelo cara – para mim, ele consegue fazer o que o Alan Moore tenta: fazer uma literatura pop e ao mesmo tempo cheia de referências maiores, sem perder a leveza.

Ana Carolina: Temendo que a Ana Cristina acima edite meu post, mas lá vai: o Neil Gaiman estaria aí de qualquer maneira, pois talvez seja o escritor fantástico mais pop de sua geração (talvez perdendo apenas parao  Stephen King, que está do outro lado do espectro, mas enfim). A premissa de Deuses Americanos é simplesmente fantástica: e se os deuses, junto de seus fieis – já que o que alimenta um deus é a fé – tivessem emigrado para a América, e agora sofressem as consequências da falta de fé? Segue-se um excelente road book sobre Shadow, ex-presidiário, e o misterioso Mr. Wednesday, seu empregador. Não acho que o Gaiman proseiro tenha um décimo da força do Gaiman roteirista de quadrinhos, mas esse talvez tenha sido seu melhor livro – e talvez oque contorne da melhor maneira aquele que acho o pior defeito do Gaiman: ele é um excelente criador de cenários, mas peca na execução ou na exploração de seu potencial.Mas de qualquer forma, é um livro que se destaca bastante do lugar-comum da fantasia e também da fantasia urbana e é, sim, um excelente exemplo do que se produziu de mais fantástico nos anos 00.

Bruno Schlatter: Confesso que não sou o maior dos fãs do Gaiman, principalmente na literatura, mas ele certamente tem muitos méritos, ou não chegaria onde chegou. E esse é o melhor livro dele, um page-turner muito bem escrito (apesar de algum probleminha de ritmo em certos momentos), contando uma história de fantasia urbana única e envolvente. Quem não leu tem que correr atrás, é obrigatório.

3- The Name of the Wind

Autor: Patrick Rothfuss

Editora: DAW

Ano da 1a edição: 2007

Numero de páginas: 662

Em Português? Sim, pela Sextante – em uma grande surpresa!

Ana Cristina Rodrigues: Eis a grande surpresa – da lista e da década! Primeira parte da ‘Crônica do Matador de Reis’ – o 2º livro Wise man’s fear sai agora em março nos EUA – O nome do vento saiu no Brasil em 2009, apenas 2 anos depois de sua primeira edição. É o romance de estréia de Pat Rothfuss e seu sucesso surpreendeu até mesmo o autor, que  aproveitou a fama para… fazer caridade! Uma fantasia sombria, que conta a história de Kvothe por várias dificuldades enquanto ele busca desenvolver forças para se vingar dos Chandrianos, entidades lendárias que voltam a vida e provocam um desequilíbrio de forças. O livro todo tem um clima de desespero e de sombras – mesmo a quadrinha infantil sobre os vilões começa a dar medo quando você se aprofunda mais na história.

Bruno Schlatter: Tá na minha lista, tenho que ler ainda.

Ana Carolina: Li sem esperar muito para ser surpreendida. É um cenário de alta fantasia, mas muito mais sujo do que o tolkeniano-rpgista padrão (é muito mais “martiniano”, digamos assim), com um quezinho que vai de Dickens a Harry Potter, mas inovando. Confesso que o começo é meio sonolento, com o protagonista – criança superdotada e atrevida que ganha um mestre para explorar todo seu potencial de geniozinho – mas já na primeira reviravolta, o livro fisga e mostra que as coisas vão ser diferentes. Gostei bastante da releitura da alta fantasia, suja, no mundo de um deus morto, onde criminalidade e drogas são problemas REAIS, e espero ansiosa se o autor consegue segurar a excelente peteca levantada nas continuações.

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4- Blindsight

Autor: Peter Watts

Editora: Tor

Ano da 1a edição: 2006

Número de páginas: 384

Em Português? Nope.

Ana Cristina Rodrigues: Desse livro, eu nem tinha ouvido falar. Então, recorri ao Google – e aquele orgulho besta meio que desapareceu, já que o romance concorreu ao Hugo de 2007… A minha desculpa é, que segundo a Wikipedia,  trata-se de um romance de FCHard, que não é minha praia. A trama explora temas como identidades e consciência, usando como mote uma equipe de astronautas que encontra uma entidade extraterrestes. E pra minha total surpresa, o livro está disponível online! Vou aproveitar para ler.

Ana Carolina: Para ser sincera, não me interessa.

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5- Kushiel’s Dart

Autor: Jacqueline Carey

Editora: Tor

Ano da 1a edição: 2001

Número de páginas: 701

Em português: Não

Ana Cristina Rodrigues: Outro que se encaixa na categoria ‘nunca ouvi falar’.  Pelo que vi na Wikipedia, é uma fantasia inspirada no Gênesis, com anjozzzz….Não, não me interessou. Pelos comentários da equipe da Tor.Com, é uma série com muitos fãs – o que explica a sua inclusão.

Ana Carolina: Como já ouvi falar bem dessa série por gente que tem um mínimo de senso crítico, tenho curiosidadezinha. Só “zinha”.

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6- A Storm of Swords

Autor: George R.R. Martin

Editora: Bantam

Ano da 1a edição: 2000

Número de páginas: 973 (a 1a edição de capa dura)

Em português? Já saiu em Portugal (dividido em dois livros) e deve sair pela LeYa em breve.

Ana Cristina Rodrigues: Não há muito o que falar, já que Carol, Lucas e Bruno vão falar muito mais. Storm of swords é o terceiro e maior livro da saga até agora, e o mais complexo – segundo os fãs. Eu? Bem, apesar de ter adorado o primeiro volume, prometi que só leria os outros quando o 5º livro saísse.

Bruno Schlatter: Esse é o livro que melhor resume a série, na minha opinião. Tudo que ela tem de melhor resumido em míseras 1200 páginas (na versão pocket que eu li): guerras, combates, intrigas, traições, mentiras, mortes inesperadas e chocantes… Mas vou deixar pra Carol entrar em maiores detalhes. Winter is Coming!

Ana Carolina: O livro é uma síntese da série, no fim das contas, trazendo em suas 1200 páginas tudo aquilo que ela tem de melhor – intriga, drama, romance, traições, mentiras, mágica – em um ritmo alucinado, talvez no mais forte de toda a série, já que a dinâmica está presente do começo ao fim, onde nenhuma palha fica no mesmo lugar onde estava quando tudo começou. Todos os personagens, núcleos e tramas se mexem e se adiantam, alguams se conectam, outras se desconectam de vez, e esse livro ainda tem o clímax de toda a saga até agora, que mais não posso dizer pois é o maior spoiler da série até o momento. Só que essa empolgação toda trouxe um pequeno probleminha, que gerou um atraso de ONZE ANOS E CONTANDO!!!!! para dar prosseguimento à série: ele acabou ferrando a própria cronologia. Tem de ver se as consequências disso para o quinto livro que, Deus queira, sai esse ano ainda.

(e só uma nota: acho que o livro 4 é o único da série com valor literário, apesar de precisar de três livros de introduçãozinha e ser o “patinho feio” da série).

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7- Jonathan Strange & Mr Norrell

Autora: Susanna Clarke

Editora: Bloomsbury

Ano da 1a edição: 2004

Número de páginas: 800 (a 1a edição de capa dura)

Em português? Sim, pela Cia das Letras

Ana Cristina Rodrigues: Esse foi um livro que me derrotou. Cheguei no final por pura obstinação mesmo, porque vontade de largar eu tive, e muita. Porém, o romance de estréia de Susanna Clarke foi muito elogiado e premiado, com críticos encantados pela prosa dickeniana que conta a história de dois homens que trazem a magia de volta para a Inglaterra.

Buno Schlatter: Tinha curiosidade de ler esse livro, mas conversando com amigos (incluindo o pessoal do blog) parece que ninguém se empolgou muito com ele. Se um dia tiver algum tempo e dinheiro sobrando, de repente vai.

Ana Carolina: Até entendo porque esse livro está na lista (já que a forma como a história foi construída, a linguagem e a temática também fogem bastante do lugar-comum), mas esse livro me derrotou. Quando terminei a parte 1 e vi que teria de vencer mais 500 páginas, utilizei-me da máxima “livros demais, tempo de menos”, fechei e voltei para a estante, onde está até hoje.

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8- Anathem

Autor: Neal Stephenson

Editora: William Morrow

Ano da 1a edição: 2008

Número de páginas:928

Em português? Não

Ana Cristina Rodrigues: Esse está na pilha para ler. Ainda não me animei a passar das 100 primeiras páginas  – são 930. E pelo tamanho, vocês devem ter uma vaga idéia de que nada acontece muito no começo. Mas a discussão parece bem interessante. Esse livro era a barbada para o Hugo de 2009, que perdeu para o infanto-juvenil O livro do cemitério do Neil Gaiman. Admito que votei no Gaiman.

Ana Carolina: Li Nevasca do mesmo autor, não gostei, e a chance de ler esse livro são entre mínimas e nulas.

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9- Mistborn: The Final Empire

Autor: Brandon Sanderson

Editora: Tor

Ano da 1a edição: 2006

Número de páginas:541

Em português? Não

Ana Cristina Rodrigues: Brandon Sanderson é o melhor aluno de Robert Jordan, mas como eu não gostei do que li do Jordan isso não é elogio. O trabalho de Sanderson na trilogia Mistborn – que começou com esse livro – lhe valeu o posto de perpetuador da saga de Jordan (para quem não sabe, “Wheel of time”). Achei muito ‘predestinado muda o destino do Mundo’, mas a protagonista é bastante simpática e acaba te atraindo pro livro. O cenário é bem construído, inclusive a parte dos poderes dos Mistborn.

Ana Carolina: Graças a um coleguinha que não tá no blog (cof cof), esse livro tá na minha pilha de leituras.

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10- Perdido Street Station

Autor: China Mieville

Editora: MacMillan

Ano da 1a edição: 2000

Número de páginas:867

Em português? A Tarja vai publicar em breve!

Ana Cristina Rodrigues: Bem, esse livro é o grande responsável pelo hype que surgiu no fandom brasileiro sobre a moda New Weird. E em parte isso se justifica pela qualidade do texto. Mieville desfia a cidade de New Crobuzon com uma veracidade que por vezes é difícil lembrar que ela não existe.Criaturas bizarras, um perigo que ameaça destruir tudo, um casal completamente impossível – que tem uma cena de sexo belissimamente escrita, um plot intrigante e complexo. Faltam adjetivos para descrever esse delírio do escritor inglês.

Bruno Schlatter: Pessoalmente, gosto mais dos outros dois romances do Miéville em Bas-Lag – The Scar e Iron Council. Mas esse foi o grande hit do autor, o que começou tudo, e é o primeiro livro que vem a cabeça de qualquer um quando se fala em new weird. Uma viagem profunda e inquietante pela cidade de New Crobuzon, seus becos sujos e personagens fantásticos; tem alguns defeitos, e o final pode ser um pouco brochante, mas certamente vale a leitura para qualquer fã de fantasia.

Ana Carolina: Tá na pilha, mas sempre que olho pra ele dá uma preguiça… (e foi por causa dele que li o A Game of Thrones em primeiro lugar, agradeço ao Mieville para sempre :P)

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Comentário final da Adriana:Ah, cara, eu tenho livro demais pra ler, ainda. Não vou dizer que senti vontade de ler TODOS os que estão nessa lista – até agora os únicos que realmente pretendo ler num futuro próximo são Deuses Americanos e os livros do Martin – mas cada vez mais me convenço que tenho pouca vida pra muita lista de leitura…

 
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Publicado por em 10 de março de 2011 em Comentários

 

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